curioso perceber o quanto a noite me impressiona desde sempre, como faz meu corpo reagir naturalmente a felicidade e a todo o mistério que ela reserva.
mesmo quando pequena, já preferia os passeios escuros e só de sentir o vento fresco já ficava tonta de tanto prazer. por mim ficava lá, só olhando pro nada, pro céu que dava pra explorar, sem arder os olhos, naquele mesclado de azul com preto, cinza e vermelho típicos da noite de São Paulo; ainda tinham aquelas luzes todas, nossa! como a cidade ficava tão mais bonita, e o mundo parecia todo uma coisa mais viva no pulsar das pequeninas luzes. ah! e as estrelas?! quando resolviam aparecer... eu me deixava voar alto e depressa pra lá.
ainda vôo alto e depressa, o silêncio e a meia luz da minha pacífica solidão na madrugada, me revelam tudo que eu desejo imaginar.
é bom ser da noite.
me inquieta para a vida. me dá a oportunidade de tornar completas todas as coisas que eu deixo pela metade durante o dia.