Da observação à palavra


poderia falar sobre aquela mulher de todo dia, que demonstra tanto conhecimento geral e profundo, e intenso, e superficial... na lotação de manhã, vale mais que noticiário de qualquer rádio da cidade, vale mais que as últimas fofocas do meu antigo bairro que minha vó ainda mora.
poderia falar sobre aquela moça de todo dia que entra com o mesmo sorriso, pra ser atendida por mim, e quando eu a vejo na rua e ela nem me enxerga, noto que ela ainda continua sorrindo, e eu imagino que a moça nasceu com algum tipo de felicidade absurda, ou algum defeito mesmo. não sei nem se dói, fato é que é bonito de verdade de ver tanto sorriso...(verdadeiro?!)
poderia falar sobre cada um dos malucos, doidos, irritados, loucos, extremamente estressados, tristes e aborrecidos que passam gritando ou causando algum estranhamenho geral, e particular, nas pessoas. gritos em forma de reclamação, vergonha ou insulto. bravo!
poderia falar sobre cada imbecil que me cabe na convivência do dia a dia, e cada imbecil que não me cabe. cada gigante maior que o outro. gigantes que nem cabem no papel de tamanha imbecilidade.
poderia falar sobre minha pequenice de não conseguir escrever sobre nenhum dos personagens que eu gostaria de falar.
mas me falta...
a palavra